sexta-feira, 11 de outubro de 2019

OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO

A distância entre Jerusalém e Qumran é de 45 km. A distância entre Jerusalém e Massada são 103 Km. São pormenores, mas de qualquer forma importa referir. De qualquer forma, se menciono estes dois locais do Deserto de Judá, é porque foi neles que se encontraram os documentos mais preciosos, por respeitarem aos Essénios, de que pouco se conhecia e muito se ficou então a saber.

Sublinho que os documentos de Qumran, bem como os de Massada fazem parte do acervo conhecido como Manuscritos do Mar Morto. São manuscritos do Mar Morto, não são os Manuscritos do Mar Morto. Tão só isto.

Florentino García Martinez, na sua obra TEXTOS DE QUMRAN, na introdução da mesma, diz o seguinte:

«Os achados acidentais e a exploração sistemática das ruínas e das grutas dos diversos Wadis do Deserto de Judá proporcionaram ao longo dos últimos 40 anos um grande número de manuscritos de épocas e características diversas. Todos eles são conhecidos como "os manuscritos do Mar Morto", e todos foram, ou serão no futuro, publicados na série Discoveries in the Judaean Desert, da Clarendon Press, de Oxford ou na série dedicada aos manuscritos procedentes das escavações israelitas preparada pelo Santuário do Livro e pelo Museu de Israel. Todos estes manuscritos foram agrupados em colecções segundo o seu lugar de origem, independentemente do facto de terem sido achados in situ pelos arqueólogos ou de terem sido adquiridos no florescente mercado de antiguidades».

sábado, 5 de outubro de 2019

PIERRE PLANTARD E AS SUAS ALDRABICES


E eu que não imaginava ter de voltar a este assunto.
Bom, estava a responder a uns confrades rosacruciano, mas desisti. Eles estavam tão contentes com o mitómano Pierre Plantard, que houve até quem dissesse: é cá dos nossos. Parece-me que se trata de uma crença cega de uns tantos e não quero ser desmancha prazeres. Paciência.
Pierre Athanase Marie Plantard, que se apresentava como Pierre Plantard de Saint-Clair foi um mitómano (um pouco diminuído mental) que inventou uma fantasmagoria chamada de Priorado de Sião, entre outras fantasias.
Esta fraude chegou ao público mediante artigos (e depois um livro: Rennes-Le-Château) de Gérard de Sède. O livro teve várias edições, mas o mito ampliou-se quando Michael Baigen, Richard Leigh e Henry Lincoln pegaram nele e o desenvolveram até ao absurdo. Henry Lincoln acabou por se desligar da fantasia, e também Gérard de Sède. Este não só se desligou como negou tudo o que tinha dito, pouco antes de falecer. Disse que tinha sido engando pelo Plantard.
Mais tarde chega o Dan Brown que impingiu as suas lantejoulas aos carentes de ilusão.
Pierre Plantard, falecido em 2000, tinha uma biografia assaz pesada, foi colaboracionista, durante a ocupação nazi, duas condenações na Justiça francesa, uma por pedofilia e outra por fraude, nada disto o impedindo de, numa república com dois séculos, se intitular herdeiro da coroa francesa, e daqui aquele acrescento de Saint-Clair, para amar ao nobre. Dizia ele que descendia dos Merovíngios, que por sua vez descendiam de Jesus e Madalena. Numa entrevista à Televisão Francesa, perguntado se descendia de Jesus e Madalena, disse que nunca tinha dito tal. Claro que foi massacrado, pois se se dizia descendente dos Merovíngios!…
A propósito, ou a despropósito, sabem por que é que o Plantard chamou à sua invencionice Prieuré de Sion? Bom, ele inspirou-se no nome de um lugarejo encantador – hoje é uma cidade com aeroporto e tudo – onde passou férias, pelo menos uma vez: Sion, no cantão suíço de língua francesa Valais.
Há muito material na NET que desmonta a aldrabice com tanta documentação e pormenor que não fica o mais pequeno espaço para a dúvida.
Quem quiser realmente informar-se a fundo deve começar por consultar as páginas do investigador Bernardo Sanchez da Motta. Se as achar consistentes, vai ao Wook ou à Amazon e compra os seus dois livros sobre esta matéria. Há em papel e em e-book
Em e-book seguem aí os links
e

Quem quiser ficar só pela rama, basta ir à Wikipedia.



segunda-feira, 1 de abril de 2019

LIBERDADE


Confunde-se Liberdade – que é uma condição indispensável à dignidade humana – com a liberdade de fazer dinheiro, que é a sua degenerescência. Com a primeira, as sociedades e os indivíduos desenvolvem-se e realizam-se; com a segunda, uma minoria enriquece ao preço do empobrecimento generalizado das massas e da corrosão do carácter de ricos e pobres.

ALTRUISMO


O altruísta pode bem ser um egoísta que se desconhece. Tirar satisfação de uma atitude tida por altruísta é já ser pago; beneficiar com isso em fama ou em proveitos é um segundo pagamento, e não se deve ser pago duas vezes.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

DOS ANIMAIS E DOS HOMENS


Nestes tempos abastardados onde os valores se dissolvem e os entendimentos se confundem, põe-se de moda o que é estultícia, riem-se os muitos do que não usam.

Foi assim que entrou no parece bem falar de animal como se fosse gente e de gente como se fosse peste. Esta moda, esta falácia agrava-se quando é propalada por recém-convertidos de má consciência. O dichote de mau gosto «quanto mais conheço os homens mais gosto dos cães», atirado entre graçola e azedume, diz tudo.

Há, evidentemente, muita gente que gosta muito de animais, mesmo muito. Este gostar muito provoca e dilata a posse, perverte o próprio gostar. É o caso daqueles possuidores de bichos a que vestem gabardinas e põem chapéu. Ninguém lhes chama torturadores, mas chamo eu, que gostaria que tais actos fossem considerados maus tratos. São desvios, dir-se-á. Mas estes desvios e desequilíbrios provocam depois conversa fiada por parte de demagogos que esgrimem a falácia dos direitos dos animais, sem nos dizerem que deveres lhes correspondem. Coisa obtusa!

E não nos dizem como podem os ditos exercer s seus direitos!

Não maltratar os animais não é uma questão dos seus direitos, que os não podem exercer, não podem recusar o guizo, o boné, a gabardina; é uma questão de dignidade humana, de respeito pela vida, de rejeição da violência e da crueldade.

Como bem disse José Saramago, «um animal não pode defender-se; se te regozijas com a sua dor, desfrutas da tortura, gostas de ver como sofre esse animal … então não és um ser humano, és um monstro».

Para os que usam e abusam dos clichés e ideias prontas a usar que estão na moda, apenas porque estão na moda; que muito vociferam sobre os direitos dos animais, sem se perguntarem por que alguns não têm direito à vida, sendo assassinados e cortados em bife, só lhes desejo bom apetite na sua verde consciência.

Dizia a minha avó que a consciência era verde, veio um burro e comeu-a…

Histon, 20 DEZ 2018

THE THIRD EYE


Histon, 20 DEZ 2018

Muitos dos curiosos das coisas do oculto, que lêem sem espírito crítico livros excitantes da fancaria pseudo-esotérica, postos em moda, não se apercebem de quanto esses livros resultam de outros livros – uns bons e outros maus – mal assimilados e comercialmente reproduzidos. Estou a lembrar-me de um bestseller de 1956, que originalmente se intitulou The Third Eye, e recebeu em português o equívoco de Terceira Visão, sem que os falantes desta língua se interrogassem qual seria a segunda. Pouca exigência, como é evidente.

O autor, um inglês chamado Cyril Hoskins, que usava o pseudónimo Lobsang Rampa, nunca esteve no Tibete, mas escreveu uma vintena de livros a propósito que eram umas vezes cópia, outras continuações uns dos outros. Tudo o que neles conta que não seja disparate ou fantasia copiou ele da célebre obra autobiográfica do alpinista austríaco Heinrich Harrer, Sete Anos no Tibete, de que haveria mais tarde de ser realizado um filme. Este livro foi publicado, obviamente, antes do de Rampa (quatro anos antes) e, numa reedição de 1982 mereceu um prefácio e agradecimento do Dalai Lama. Mas tudo isto fica para outra altura, que o que interessa de momento é tratar do grande disparate contido no tal bestseller do Rampa.

Felizmente que os crentes naquela fantasia se limitaram a ler e sonhar, nada daquilo levando à prática, nomeadamente fazendo furos na testa, o que seria desastroso.

A nomenclatura portuguesa de Terceira Visão é um disparate e, como disparate, fica bem no disparate maior que é o livro. Apenas se justifica falarmos de duas visões: a física e a espiritual. A nomenclatura inglesa usada pelo Rampa de Terceiro Olho é um mau entendimento da parte dele. Tal nomenclatura – Terceiro Olho – usa-se no esoterismo metaforicamente, simbolicamente para designar visão interior, intuição, clarividência, realização espiritual. Nada disto se consegue com furos na testa. Os supostos órgãos físicos que medeiam estas capacidades são as glândulas hipófise e pineal. Já Descartes queria entender esta última como sede da alma. Mas que fique claro: o desenvolvimento psíquico – eis uma verdade de La Palice – só se consegue psiquicamente, não há mecânica que lhe valha.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

A TESE MITICISTA


A tese miticista de Jesus, que tem como principal figura EARL DOHERTY, é descrita assim: «que não houve nenhum Jesus histórico digno desse nome; que o cristianismo começou com uma crença em uma figura espiritual e mítica; que os Evangelhos são essencialmente alegóricos e ficcionais, e que não é possível identificar somente uma pessoa por trás da tradição de pregação na Galileia».

Os principais livros de Doherty são «Jesus: Neither God nor Man»; «The Jesus Puzzle: Did Christanity Begin with a Mythical Christ?», ambos publicados no Canadá.