E eu que não imaginava ter de voltar a este assunto.
Bom, estava a responder a uns confrades rosacruciano,
mas desisti. Eles estavam tão contentes com o mitómano Pierre Plantard, que
houve até quem dissesse: é cá dos nossos. Parece-me que se trata de uma crença
cega de uns tantos e não quero ser desmancha prazeres. Paciência.
Pierre Athanase Marie Plantard, que se apresentava
como Pierre Plantard de Saint-Clair foi um mitómano (um pouco diminuído mental)
que inventou uma fantasmagoria chamada de Priorado de Sião, entre outras
fantasias.
Esta fraude chegou ao público mediante artigos (e
depois um livro: Rennes-Le-Château) de Gérard de Sède. O livro teve várias
edições, mas o mito ampliou-se quando Michael Baigen, Richard Leigh e Henry
Lincoln pegaram nele e o desenvolveram até ao absurdo. Henry Lincoln acabou por
se desligar da fantasia, e também Gérard de Sède. Este não só se desligou como
negou tudo o que tinha dito, pouco antes de falecer. Disse que tinha sido
engando pelo Plantard.
Mais tarde chega o Dan Brown que impingiu as suas
lantejoulas aos carentes de ilusão.
Pierre Plantard, falecido em 2000, tinha uma biografia
assaz pesada, foi colaboracionista, durante a ocupação nazi, duas condenações
na Justiça francesa, uma por pedofilia e outra por fraude, nada disto o
impedindo de, numa república com dois séculos, se intitular herdeiro da coroa
francesa, e daqui aquele acrescento de Saint-Clair, para amar ao nobre. Dizia
ele que descendia dos Merovíngios, que por sua vez descendiam de Jesus e
Madalena. Numa entrevista à Televisão Francesa, perguntado se descendia de
Jesus e Madalena, disse que nunca tinha dito tal. Claro que foi massacrado,
pois se se dizia descendente dos Merovíngios!…
A propósito, ou a despropósito, sabem por que é que o
Plantard chamou à sua invencionice Prieuré de Sion? Bom, ele inspirou-se no nome
de um lugarejo encantador – hoje é uma cidade com aeroporto e tudo – onde
passou férias, pelo menos uma vez: Sion, no cantão suíço de língua francesa
Valais.
Há muito material na NET que desmonta a aldrabice com
tanta documentação e pormenor que não fica o mais pequeno espaço para a dúvida.
Quem quiser realmente informar-se a fundo deve começar
por consultar as páginas do investigador Bernardo Sanchez da Motta. Se as achar
consistentes, vai ao Wook ou à Amazon e compra os seus dois livros sobre esta
matéria. Há em papel e em e-book
Em e-book seguem aí os links
e
Quem quiser ficar só pela rama, basta ir à Wikipedia.

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