V. N. 17-12-2021
Diz-se demasiadas vezes que o brasileiro é muito inventivo. Diz-se isto no bom sentido, está bem de ver. Todavia, se alguém, por exemplo, nos aparece com uma roda quadrada, não podemos chamar-lhe inventivo, pois não?
Vejamos o caso do etimologista brasileiro Silveira Bueno, que
se tornou famoso com o seu recorde absoluto de referências com falsas
etimologias. Foi ele o inventor do célebre RELIGAR, que faz as delícias dos
espiritualistas catequizadores da Nova Era, que se estão nas tintas completas – eles não são de meias-tintas – para
qualquer esforço no sentido do rigor.
Temos dito e redito
que Religião é uma palavra que existe no português desde o século XIII, pelo
menos, como derivando da palavra latina religio, como, aliás, qualquer
dicionário decente regista. Mas é claro: é muito mais excitante, romântico,
evangélico e catequizador alinhar com o falsário etimológico Silveira Bueno,
autor de um dicionário com o seu próprio nome.
Que grande vaidoso!
Vaidoso, apesar de
quando ainda vivo, usar o pseudónimo de Frei Francisco da Simplicidade.
Sem comentários:
Enviar um comentário