sexta-feira, 30 de novembro de 2018

A TESE MITICISTA


A tese miticista de Jesus, que tem como principal figura EARL DOHERTY, é descrita assim: «que não houve nenhum Jesus histórico digno desse nome; que o cristianismo começou com uma crença em uma figura espiritual e mítica; que os Evangelhos são essencialmente alegóricos e ficcionais, e que não é possível identificar somente uma pessoa por trás da tradição de pregação na Galileia».

Os principais livros de Doherty são «Jesus: Neither God nor Man»; «The Jesus Puzzle: Did Christanity Begin with a Mythical Christ?», ambos publicados no Canadá.

DA EXISTÊNCIA DE JESUS


Como já tenho escrito neste mesmo espaço, não tenho uma posição definitiva, nem uma opinião consistentemente demonstrável acerca da existência ou não do Jesus Histórico, mas inclino-me para a não existência.

Blavatsky sugeria – e Fernando Pessoa também – que o Jesus dos cristãos seria uma sobreposição a uma figura da literatura rabínica, Yesha ben Pandira, que teria vivido um pouco antes da nossa era. Outros autores falam de um certo Crestus, um messias essénio, dito também Mestre de Justiça, um pouco mais antigo ainda. Há também quem queira ver o Jesus dos cristãos como uma apropriação do mago Apolónio, que viveu precisamente no tempo que se atribui a Jesus.

Eu inclino-me para uma construção sincrética levada a cabo por um «colégio de sábios», a exemplo do que aconteceu no século XVII no respeitante a Christian Rosenkreuz.

Se têm curiosidade, interesse ou dever de investigar, pensem nisto: os principais críticos do século passado sobre a mitologia cristã surgiram na Alemanha e vieram precisamente da Universidade de Tubingen, a mesma de onde surgiram os célebres manifestos rosacruzes do século XVII.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O AVESSO E A CÂMARA ESCURA


Dito e escrito tenho eu, por variadas e bastas ocasiões, que todos temos uma forte propensão para analisar os problemas e os fenómenos com que tropeçamos de pernas para o ar (ou do avesso). Pode ser consequência de uma fragilidade genética. Bem sabemos que, quando olhamos algo, pelo efeito de câmara escura, a imagem projecta-se invertida na nossa retina. Então, para entendermos como convém, o nosso cérebro encarrega-se de a reorganizar, nem sempre bem, sobram muitos efeitos inconvenientes, ilusões de óptica. Sem dúvida que a pré-programação do cérebro nos presta bons serviços, e até podemos fazer-lhe alguns ajustes e introduzir-lhe aperfeiçoamentos. Pequenos, diminutos. muito limitados; pensemos por analogia nos ajustamentos que podemos fazer à Bios do nosso computador.

Pensar do avesso é que faz com que prevaleça a ideia – na Ciência e fora dela – que o cérebro criou a mente; eu penso o contrário. Claro que posso estar errado.

Também se crê que a mente é algo que entende e decide, e eu penso que não, que essas são funções da consciência. A consciência é a escrita de que a mente é o papel. A consciência pode distinguir o certo do errado, a mente não. Para a mente tudo é indiferente, aceita o que lhe dão, o que nela se inscreve. Quem duvide pode experimentar dizer a alguém: «não penses nisso» – uma preocupação qualquer que a pessoa tenha – e perguntar-lhe se deixou de pensar, ou se pelo contrário a preocupação se avivou.

Quando pegamos numa folha de papel, podemos escrever nela uma carta de amor, uma equação de matemática ou uma denúncia, anónima ou não. Ao papel é indiferente.

Quando falamos da tendência de ver as coisas ao contrário – veja-se a moda de pensar que a adrenalina nos produz excitação – devíamos olhar para o que diz a ciência: é a excitação que produz a adrenalina.