Quando, entre os rosacrucianos, se diz o Deus do seu coração, fica implícita a forma plural de entender, sentir e imaginar o que seja Deus. Hoje, em tempos de Cibernética e de Quanta, fica extemporâneo imaginar-se Deus com o olhar do passado. Penso que não é mais possível defender o conceito de um Deus pessoal, separado da sua criação. Aliás, tentar caracterizá-Lo é diminuí-Lo. Assim, se dissermos que Deus é tudo e que toda a matéria é o seu corpo manifesto, diminui-Lo-íamos se o tudo não incluísse o nada. Não estamos, de modo algum, a admitir o contrário de Deus, porque se torna evidente ser irracional admiti-lo. Contrariamente ao muito que se diz no seio do esoterismo, não me parece defensável a dualidade de Deus. Mas é bom que tenhamos a humildade suficiente para admitir que um ponto de vista, afinal, não passa da vista de um ponto. Mas adiante. O problema de se ter inventado um diabo para lhe atribuir a responsabilidade do mal visou eximir Deus de tal. Ora, o mal é do mundo dos homens, é um conceito moral. E não devemos achar que as catástrofes naturais, por exemplo, sejam obras do maligno ou castigos de Deus. A inteligência humana, reflexo da inteligência total, encontrará os meios necessários para se defender das forças da Natureza que prejudiquem vivermos neste mundo. A mesma inteligência poderá cuidar do progresso benigno das sociedades humanas, ou optar pelo contrário – está no seu livre-arbítrio – mas terá de entender que toda a acção tem a sua consequência. Se ferirmos um dedo ao manejar uma faca, a culpa não é da faca, é d nossa inabilidade.