A tão mencionada e equivocada auto-realização, poderá entender-se, no seu sentido rosacruciano como a sintonização dos três princípios fundadores da nossa consciência individual – Inteligência, Capacidade (ou energia psíquica) e Vitalismo – com a sua fonte, a Consciência Cósmica, a que é tradicional atribuir as potências de Luz, Vida e Amor, que na alma individual e colectiva se traduzem por memória, entendimento e vontade.
Mas estas triangulações que aqui apresentamos, existem objectivamente? É evidente que não, são apenas interpretações e tentativas de explicar o que objectivamente se não demonstra. Tentativas de racionalizar o irracionável, necessariamente limitadas, e por isso mesmo susceptíveis de ter consequências perniciosas, limitadoras daquilo que se quer expandir sem limites, a nossa consciência, por sintonização com a fonte, que não podemos conceber como limitada nem como limitadora.
O perigo de dissecar, seja uma rã, seja uma ideia, é perder a perspectiva daquilo que desconjuntámos. No campo objectivo, não sabemos agir de outro modo e no subjectivo estamos contaminados pelas formas comuns de aprender, investigar e experimentar. Todavia, aquilo que se pode demonstrar no campo objectivo de forma clara não tem equivalente no subjectivo e leva demasiadas vezes à cegueira dogmática limitadora, obviamente, de qualquer investigação psíquica e indutora de fluxos mentais ilusórios. Veja-se, por exemplo, como proliferam os livros e as crenças de importação oriental, que falam dos sete corpos, dos cinco corpos, dos doze corpos em um não mais acabar de concepções vertidas de uns livros para os outros… Será que tudo isto resulta de experiências vividas e investigações concretas dos seus autores? Duvido. Mas se sim, creiam os meus amigos que só para eles tais ideias serviram, e eventualmente ainda servem. Deviam ser consideradas pessoais e intransmissíveis, mas não são, fazem muita falta no mercado da espiritualidade pronta a usar, quando não há mais nada que fazer.
Vem agora o pior da festa, o meu grande pecado. Eu que não gosto que me dêem conselhos, gosto de errar sem ser ajudado, permito-me agora aconselhar. Deve ser da idade…
Quem se interesse por estas coisas, e não viva só para matar curiosidades, se a meditação, por exemplo, não lhes é estranha, aconselhava a que quando meditassem usassem silêncio total, isto é, calassem os próprios ruídos, que os alheios dependem do exterior. Nada de ideias feitas, nada de crenças, nada de ilusões, nada de preconceitos. E por favor: não pensem, vejam os pensamentos fluir à vossa frente como coisas sem dono e sem importância.
A chave da meditação que leva à expansão da consciência é não pensar, mas sim ser pensado.